sexta-feira, 11 de julho de 2014

Indicação de um Amigo

Nunca se diga inútil.
Por agora: você não é um anjo.
No entanto é capaz de ser uma pessoa reta e nobre; não terá santidade para mostrar, mas possui vastas possibilidades de agir em benefício do próximo; não apresenta qualidades perfeitas, contudo, você detém recursos preciosos de servir.
Talvez não consiga revelar alto índice de cultura intelectual, porém, consegue amparar a muitos companheiros com excelente orientação.
Provavelmente, não lhe será possível movimentar grandes riquezas do mundo, entretanto nada lhe impedirá o esforço de acumular tesouros de bondade no coração e de irradiai-los em gestos de compreensão e de amor.
Por fim é provável que você ainda não conheça o que seja a felicidade, mas pode adquiri-la se você quiser, aprendendo a trabalhar em favor dos outros e entender a perdoar, encorajar e sorrir.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Chico Xavier


Que eu continue com vontade de viver,
mesmo sabendo que a vida é,em muitos momentos,
uma lição difícil de ser aprendida.
Que eu permaneça com vontade de ter grandes amigos,
mesmo sabendo que,com as voltas do mundo,
eles vão indo embora de nossas vidas.
Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver,
sentir, entender ou utilizar essa ajuda.
Que eu mantenha meu equilíbrio,
mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo
escurecem meus olhos.
Que eu realimente a minha garra,
mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes
tão fortes quanto o sucesso e a alegria.
Que eu atenda sempre mais à minha intuição,
que sinaliza o que de mais autêntico eu possuo.
Que eu pratique mais o sentimento de justiça,
mesmo em meio à turbulência dos interesses.
Que eu manifeste amor por minha família,
mesmo sabendo que ela muitas vezes
me exige muito para manter sua harmonia.
E,acima de tudo...
Que eu lembre sempre que todos nós
fazemos parte dessa maravilhosa teia chamada vida,
criada por alguém bem superior a todos nós!
E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos
de alguns e, sim, nas pequenas parcelas cotidianas

de todos nós!

Chico Xavier

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Onde vive nosso eu verdadeiro

Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das aparências que os homens chamam com teu nome.

Se essa casa for escura ou vazia, não poderás iluminá-la com as lâmpadas de teu vizinho nem enchê-la com os seus bens.

E se estiver no deserto, não a poderás transferir para um jardim plantado por outros, e se estiver no pico de uma montanha, não poderás baixá-la para um vale onde os caminhos foram abertos por outros pés.

Nossas vidas interiores, meu irmão, são rodeadas pelo isolamento e a solidão. Sem eles, tu não serias tu e eu não seria eu.

Sem eles, confundirias tua voz com a minha voz, e quando olhasses no espelho, não saberias se estavas vendo-te a ti mesmo ou a mim.

*   *   *

As palavras de Khalil Gibran calam fundo na alma...

Não somos a imagem que vemos no espelho. Não somos as aparências. Nessa casa, afastada de todas as outras, vive nosso eu real, eu Espírito.

E cada um deve iluminar a sua casa com suas próprias conquistas. As lâmpadas dos vizinhos nos seduzem, até nos inspiram, mas nossa iluminação precisa vir de dentro.

Não adianta casar com alguém bom para viver a bondade. Não adianta receber um amor infinito para termos amor para sempre. Não adianta estarmos próximos a pessoas felizes para vivermos a felicidade.

Os bens do outro são do outro. Podemos até usufruir deles, pela bondade divina, mas apenas como forma de motivação, para que tenhamos forças e exemplo para lograr os nossos próprios, ao nosso tempo.

Se essa nossa casa estiver ainda no deserto, caberá a nós, apenas a nós, transformar a aridez em jardim florido.

E todos os caminhos precisam ser abertos por nossos próprios pés...

Somos individualidades. Não há um ser igual ao outro neste Universo. E dentro de cada individualidade há uma espécie de solidão, um lugar onde todos estamos sós.

Solidão que machuca enquanto ainda somos mais sombra do que luz, mas que depois se harmoniza e se transforma em solitude – uma unidade saudável da criatura com o Criador.

Nosso Pai reservou plano especial no Universo para cada um de nós. Não há insignificância alguma no Cosmo, por menor que possamos nos imaginar.

Acreditar-se pequeno, ou insignificante é, ainda, típico de quem não se encontrou em profundidade, de quem não conhece sua própria casa no Universo.

Somos grandes, somos capazes, somos parte de um todo perfeito, por isso somos fadados à perfeição individual.

*  *   *

Quando a sombra de um desânimo qualquer desejar bater à porta de nossa casa, lembremos da grandiosidade do Universo e de que fazemos parte disso tudo. Lembremos de que somos importantes.

Não permitamos que as distrações ou as vicissitudes da vida enfraqueçam nossas forças. Elas são parte do ensino apenas, do ensino desta grande escola chamada Terra.

*   *   *

Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das aparências que os homens chamam com teu nome.


Redação do Momento Espírita,com base em trecho
do texto Isolamento e solidão, do livro Curiosidades
belezas, de Khalil Gibran, ed. ACIGI.
Em 4.7.2014.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Tecnologia e responsabilidade

É lugar comum dizermos que vivemos em um mundo tecnológico.

Nada mais explícito e presente do que a tecnologia, nos dias atuais.

Ela abraça todas as nossas atividades, nossas relações, nosso cotidiano.

Se vamos ao banco, lá está o caixa eletrônico, o cartão magnético, a dispensar funcionários.

Se vamos viajar, são inúmeras as possibilidades de aquisição de passagem, reservas de hotéis, restaurantes, tudo à distância, sem recurso humano nenhum, apenas com o teclado e a internet a nos prover as necessidades.

Mesmo quando vamos às compras, a tecnologia lá está, a possibilitar tudo adquirirmos sem nem ao menos sair de casa.

Embora tantas facilidades, recursos e máquinas admiráveis, tudo isso é apenas tecnologia, nada mais.

Existem os arautos do mundo moderno que creem que ela possa tudo substituir.

Há os apressados que imaginam a tecnologia como a grande deusa moderna, suprindo todas as necessidades humanas, plena e satisfatoriamente.

Porém, não podemos esquecer que ela é simples instrumento que nos facilita o dia a dia, possibilitando continuarmos a viver a vida, na plenitude que ela merece.

Não há como imaginar algum aparato tecnológico a substituir o carinho de mãe, a atenção do pai, as preocupações na educação do filho.

Verdade que não são poucos aqueles que delegam o tempo precioso de convivência para os tablets, games, programas de TV.

É impensável que alguma invencionice humana possa substituir a conversa leve e solta com um amigo, a troca de ideias e a brincadeira divertida que nasce da intimidade daqueles que se querem bem.

Porém, é crescente o número dos que, por conveniência, trocam o convívio social pelos relacionamentos inventados e imaginários das redes sociais e dos bate-papos virtuais.

Se, no convívio da família, é que buscamos esteio, referência, amparo, assim como somos chamados a amparar e dar sustento, não haverá possibilidade de máquina alguma substituir essas relações, que geram crescimento e aprendizado.

Entretanto, existem os que preferem os relacionamentos à distância, dando notícias vez por outra em mensagens vazias de significado ou em encontros breves nas telas dos computadores, para logo mais desplugar-se, sem outro compromisso maior.

Pensemos que estes dias de tecnologia geram em nós a responsabilidade de bem conviver com ela.

Dar-lhe a medida adequada, a fim de se utilizar dela sem fazer-se escravo.

Ter a clara noção de sua abrangência e utilidade, mas nunca tê-la como substituta das coisas da alma e do coração.

Portanto, estes não deixam de ser dias de aprendizado, para que a tecnologia não nos embruteça, não nos torne frios ou nos tire todo o significado da existência.

Afinal, o homem tecnológico é aquele que se utiliza da tecnologia para facilitar sua vida e usa com sabedoria o tempo livre que ela lhe possibilita, para investir nas coisas que lhe são caras ao coração.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 5.7.2014.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Flores de Amor


Ela estava sozinha e, naquele dia de primavera, decidira almoçar ao ar livre, sentada em um banco, à sombra de  majestosa árvore. Era o seu horário de descanso do escritório e desejou imaginar que estivesse em um piquenique.

Naqueles momentos, começou a refletir sobre a sua solidão. Após o divórcio, ela terminara de criar seus filhos sozinha e estivera ocupada demais tentando sobreviver.

Pensava, naquele momento, que talvez fosse por isso que não encontrara outro companheiro. Alguém com quem pudesse compartilhar a sua vida e o seu amor.

Ela se mantivera ocupada com as atividades da filha adolescente, acompanhando-a a um e outro lugar, ou visitando os filhos mais velhos e o novo neto, além de cuidar da profissão e trabalhar no grupo religioso de sua comunidade.

Lembrou que no escritório havia muitas colegas casadas e que recebiam, às vezes, flores dos seus maridos. Os buquês maravilhosos chegavam, geralmente, acompanhados de um cartão, dizendo que as flores estavam sendo enviadas só porque eu amo você.

Ela admirava as flores, mas admirava mais os sentimentos que havia por trás daqueles gestos.

Ela fora infeliz no casamento e nunca recebera tais mimos. Aliás, nada que indicasse que ela era uma mulher amada. E, porque adoraria receber flores, não podia deixar de invejar aquelas mulheres.

Elas eram felizes. Tinham maridos que as amavam e que, mesmo após anos de convívio conjugal, se lembravam de remeter flores, serem criativos, surpreender.

As flores ficavam dias sobre as mesas, em jarros d’água, perfumando o ambiente, atestando a existência de um sentimento cálido e maduro.

E ela se sentia tão só. Sua mesa sempre estava despida de cores e perfume. Vazia.

Enquanto assim se perdia em pensamentos, sentiu alguma coisa cair em sua cabeça. Era uma flor despencando em direção à grama.

Olhou para cima e viu que a árvore enorme, sob a qual estava sentada, trazia a copa repleta de graciosas flores vermelhas, penduradas quase ao alcance de sua mão.

Ela não as havia notado porque não olhara para cima. Deu-se conta, então, que estava sendo agraciada com flores, lindas flores de Alguém que a amava. Sempre a amara e não desejava que ela ficasse sem recebê-las.

Ela olhou para o chão, colheu as flores dispersas, lindas, vibrantes e compôs um ramalhete.

Levou-as para sua mesa de trabalho e as colocou em uma jarra de vidro.

Durante todo aquele dia, foi maravilhoso contemplá-las, enquanto trabalhava. Elas a fizeram lembrar que Deus quis lhe dar flores só porque Ele a amava.

*   *   *

As flores que lançam aromas nos canteiros são mensagens do amor de Deus falando nos jardins.

Os passarinhos que pipilam nos prados e cantam nos ramos são a presença do amor de Deus se manifestando nos ninhos.

O filete transparente de águas cantantes, que beija a face da rocha, canta o amor de Deus, jorrando suave da pedra.

As vagas agigantadas que se arrebentam nas praias mostram o amor de Deus engrandecendo-se no mar.

Os astros que giram na amplidão enaltecem o Amor Divino, enquanto falam dessa cadeia que une os seres e as coisas na Casa de Deus.

Por tudo isso jamais te sintas não amado. Porque se não tiveres quem te diga aos ouvidos: Eu te amo, Deus te abraça com Seus raios de luz e te dá, todos os dias, o mundo para viver, amar e ser feliz.



Redação do Momento Espírita, com base no cap. Só
porque eu amo você, de Suzanne F. Diaz, do livro
Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed.
United Press e no cap. 22, da obra Rosângela, pelo
Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 7.7.2014.